Fratura do Quadril em Idosos
A fratura do quadril no paciente idoso é uma emergência ortopédica que vai além da lesão óssea; ela é um marcador de fragilidade sistêmica. O manejo precoce e a mobilização rápida são as chaves para evitar complicações fatais como pneumonia, trombose venosa profunda (TVP) e escaras de decúbito.
Perfil dos Pacientes
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População Alvo: Predominantemente mulheres (devido à queda mais acentuada da densidade mineral óssea pós-menopausa), com média de idade acima de 75 anos.
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Mecanismo de Trauma: Geralmente traumas de baixa energia, como quedas da própria altura.
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Fatores de Risco: Osteoporose, sarcopenia (perda de massa muscular), polifarmácia (uso de vários medicamentos que afetam o equilíbrio), déficits visuais e comorbidades cardiovasculares.
Diferenciação Anatômica e Clínica
As fraturas do fêmur proximal são divididas principalmente pela sua localização em relação à cápsula articular, o que determina o prognóstico e o tratamento.
A. Fratura do Colo do Fêmur (Intracapsular)
Ocorre na região estreita entre a cabeça femoral e o trocanter.
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O Problema Vascular: A vascularização da cabeça do fêmur é precária e depende majoritariamente de artérias que passam pelo colo. Uma fratura nesta região frequentemente interrompe o suprimento sanguíneo.
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Complicações: Alto risco de osteonecrose (morte do osso) ou pseudartrose (não união da fratura).
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Apresentação: Encurtamento discreto do membro e rotação externa.
B. Fratura Transtrocanteriana (Extracapsular)
Ocorre entre o grande e o pequeno trocanter.
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O Cenário Biomecânico: É uma região de osso esponjoso e muito bem vascularizada. A cura (consolidação) não costuma ser o problema, mas sim a instabilidade da fratura sob carga.
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Composição: Há maior sangramento local (hematoma) em comparação às intracapsulares.
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Apresentação: Encurtamento mais evidente e rotação externa acentuada.
Principais Métodos Cirúrgicos
O objetivo principal no idoso quase nunca é apenas "esperar o osso colar", mas sim permitir que o paciente volte a sentar e caminhar o mais rápido possível.
Tratamento para Fraturas do Colo (Intracapsular)
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Artroplastia (Prótese): Em idosos, a tendência é substituir a articulação.
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Artroplastia Parcial: Substitui-se apenas a cabeça do fêmur. É mais rápida e menos agressiva.
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Artroplastia Total: Substitui-se o fêmur e o acetábulo. Indicada para idosos ativos ou com artrose prévia.
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Osteossíntese (Parafusos): Reservada para pacientes mais jovens ou fraturas sem desvio, onde se tenta preservar a cabeça femoral original.
Tratamento para Fraturas Transtrocanterianas (Extracapsular)
A fixação é feita com implantes que estabilizam o osso para que ele consolide:
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DHS (Dynamic Hip Screw): Um parafuso deslizante acoplado a uma placa na lateral do fêmur. Indicado para fraturas simples e estáveis.
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Haste Cefalomedular: Um prego metálico introduzido por dentro do canal do fêmur, travado com parafusos. É o padrão-ouro para fraturas instáveis, pois permite uma distribuição de carga mais fisiológica.
Considerações Finais
O sucesso do tratamento não termina na sala de cirurgia. O manejo multidisciplinar (ortopedista, geriatra e fisioterapeuta) é essencial. O protocolo "Fast Track" sugere que a cirurgia ocorra, preferencialmente, nas primeiras 24 a 48 horas após o trauma para reduzir drasticamente as taxas de mortalidade no primeiro ano pós-fratura.



